Sim, façamos um escândalo!!!!

Oi gente, tudo bem???

Bom, no meu último post eu disse que faria uma resenha (e farei) sobre o livro Cartas de Amor aos Mortos que sim, continuo apaixonada, rsrs…Mas diante da repercussão sobre o tema da redação do ENEM e o caso da Valentina (Masterchef), resolvi priorizar o assunto!

Embora eu saiba como o mundo funciona para nós mulheres, confesso que custei a acreditar nas coisas que li relacionadas à Valentina, como podem falar coisas desse tipo para uma criança? Sei que a pedofilia existe e em números alarmantes, mas cada vez que presencio um crime desses, meu estomago revira e sinto vontade de socar a cara de alguém. Meu Deus, é uma criança com cara de criança e mesmo que não fosse, mesmo que estivéssemos falando de uma adulta, alguém teria o direito de estuprá-la por isso? NÃO, seus pedófilos de merda!!!

Após os últimos acontecimentos, tenho lido muita coisa na internet sobre mulheres, e é impressionante como tem muita gente falando merda, cagando pela boca. Li, por exemplo, um texto em que um filho de chocadeira (sim, porque só chamando assim, hahaha), disse que o mundo não precisa de mulheres, que os homens são seres superiores e que nós não prestamos para nada (ainda estou tentando entender como essa ameba foi gerada, porque né?!). Li também um texto de um sem noção falando que a sociedade se incomoda tanto sobre direitos das mulheres mas ninguém se importa de morrerem muito mais homens, mas isso é totalmente justificável, por motivos óbvios:

Homens 1

Homens 2

Maaaas, como nem tudo são espinhos, tenho visto também muita coisa bacana, uma comoção muito linda e que é extremamente importante, pois, este é um tema sério e deve ser debatido sempre, não podemos achar que é normal a maneira como somos tratadas. Não pode ser normal sairmos de casa com medo de sermos assediadas nos transportes públicos, não podemos andar nas ruas com a irritação, o incomodo de nos sentirmos como pedaços de carne, não devemos nos policiar de maneira quase doentia sobre a roupa que vestimos, uma roupa não pode ser um sinal verde para nenhum tipo de assédio, me dá ódio quando ouço algum babaca proferir a asneira: “Com essa roupa ela está pedindo..”, “”tá querendo…”. Pera, não é assim, se eu quiser saio nua e foda-se. Meu corpo, minhas regras!!!!!!

Outra coisa que me chamou muita atenção foi o movimento #primeiroassedio, onde muitas mulheres relatam assédios sofridos ao longo da vida. Embora não seja feliz o que está sendo compartilhado, é lindo ver que tantas mulheres estão tendo coragem de dividir algo tão doloroso, estão gritando, se mostrando ao mundo, se unindo contra um mal que nos assola desde sempre! Somos tão acostumadas a nos calar e a ter que engolir certas coisas, que fico chocada quando me deparo com relatos de pessoas próximas a mim que eu nunca fiquei sabendo que tinham sofrido assédio antes, nesses momentos penso o quanto tudo isso ainda é tabu, em pleno século XXI.

Assim como todas essas mulheres corajosas, deixo aqui o relato do meu #primeiroassedio: Aconteceu há pouco mais de um ano, em uma manhã de domingo. Embora essa porra não seja justificativa para nenhum tipo de assédio, posso dizer que não estava com roupas curtas e nem andando sozinha em algum lugar perigoso, tarde da noite, como uns e outros dizem por aí: “procurando…” Caminhava junto a minha mãe em uma passarela no bairro de São Cristovão quando um filho da puta veio na direção contrária a mim, passou do meu lado e conseguiu mesmo através da sacola que eu carregava passar a mão no meio das minhas pernas. Minha reação foi a mais revoltada possível, comecei a berrar, a xingar, a querer ir atrás dele para bater, chamar a polícia, sei lá, só sei que enlouqueci, foi uma mistura de sentimentos, um ódio tão grande…Minha mãe não permitiu que eu fizesse nada, pois estávamos sozinhas e ela temia pela nossa segurança. O pior de tudo foi ver que o desgraçado descia o restante da passarela com a cara mais cínica do mundo, como se não tivesse feito nada. Enquanto eu seguia meu caminho chorando, me sentindo suja, me sentindo revoltada, ele seguia o trajeto dele fazendo sabe se lá o que com outras meninas que encontrou pelo caminho.

Fiquei pensando após esse episódio e penso sempre sobre todas as mulheres que sofrem estupros, que sofrem violência dentro de casa, que não tem voz, que vivem a margem da sociedade e isso me entristece, isso me revolta. O meu desejo é que todo esse engajamento seja permanente, que possamos nos unir, que tenhamos voz, que façamos com que nos ouçam, que finalmente sejamos livres para fazermos nossas escolhas.

E pra você que considera as mulheres mero objetos, sem nenhum valor, o meu mais sincero VAI TOMAR NO CÚ.

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